terça-feira, 21 de abril de 2015

Mago o Despertar Cyberpunk - Parte 5

Antagonistas



A vida na Metrópole não é fácil, os Estratos são antagônicos por natureza, uma vez que se separa a espécie humana por “qualidade”, o ostracismo e xenofobia das camadas superiores criam cidadãos paranoicos com eventuais rebeliões, os Alfas e Betas tem um constante receio dos Gamas, Deltas e Ômegas, que se se unissem causariam uma guerra civil, e por esta razão oprimem socialmente (restringindo os Distritos onde os Estratos inferiores podem entrar), politicamente (Os Deltas e Ômegas não tem voz na Metrópole, não possuindo representantes de seus Estratos, dependendo da boa vontade dos Gamas de se lembrarem deles) e até mesmo fisicamente (O Protoalimento, embora ofereça todos os nutrientes necessários para a manutenção do corpo humano, não é nem de longe um alimento saudável, de procedência duvidosa, seus consumidores são muito pálidos e magros, não possuindo uma expectativa de vida muito alta).


Em decorrência disso, a Tecnocracia é pressionada constantemente a tomar certas medidas para apaziguar os eventuais rompantes de conflito, seja através de medidas “positivas” como as Casas dos Sonhos e distribuição de drogas relaxantes e alucinógenas, bem com os Castigos (que vêm se tornando cada vez mais frequentes).

Uma vez que um cidadão dos Estratos se torna um Tecnocrata, independente de qual camada ele tenha vindo, ele automaticamente é separado da sociedade, afinal ele é um Privilegiado, possuí os dons da Visão, é superior até mesmo aos arrogantes Alfas, mas, as ligações com seus amigos e familiares do Estrato de origem são difíceis de cortar, criando situações complicadas, onde Tecnocratas agem ativamente para amenizar o sofrimento de sua camada de origem.

A Igreja da Transfiguração
Os Mensageiros espalharam a Palavra do Deus-Máquina pela Metrópole, a promessa da Evolução Final que garantiria a ascensão da raça humana há um estado de divindades imortais enche os cidadãos de esperança, pois pelo transumanismo qualquer preço é suportável.

Com o tempo surgiram os autointitulados Arautos da Transfiguração, pessoas que diziam ser guiadas pelos designíos dos Mensageiros e que deveriam impulsionar a humanidade à abandonar suas figuras de “barro” e se entregarem a uma nova forma de existência à imagem e semelhança do Deus-Máquina. 

Não demorou muito para que as primeiras Igrejas da Transfiguração fossem fundadas, os Estratos mais baixos viam conforto em suas palavras enquanto os Estratos mais altos viam uma forma de adquirir ainda mais vantagens.  A Tecnocracia não aprova os Transfiguracionistas, mas mantém um acordo silencioso e vista grossa sobre seus métodos, pois veem isso como uma forma de controle social infelizmente necessário.

É graças ao medo que os Arautos incutem no coração das pessoas que ninguém se atreve a sair da Metrópole e se aventurar pela Wasteland, espalhando rumores sobre a terrível radiação que rompe a carne, sobre os Zekas, e de como o Deus-Máquina não olha por aqueles que saem portões afora da Metrópole. Para firmar esse jogo psicológico, os Transfiguracionistas aplicam castigos severos em seus dissidentes, como o exílio, onde o “pecador” é obrigado a abandonar a Metrópole apenas com as roupas do corpo, lançado na Wasteland sem o menor pudor, enquanto o infeliz queima e implora para voltar para dentro dos muros toda a Igreja é obrigada a observar em silêncio o seu triste fim. Alguns, em desespero correm em direção às ruinas do velho mundo, em busca de abrigo e proteção, e, segundo os relatos dos Arautos, são capturados pelos Zekas que os tornam em monstruosidades.

A Igreja da Transfiguração guarda segredos ainda mais obscuros: possivelmente eles planejam se tornar os substitutos da Tecnocracia, a desacreditando perante os Estratos e trazendo mais adeptos para suas congregações, mas o que ninguém sabe é que os Arautos da Transfiguração são na verdade Mensageiros Caídos, Demônios que um dia foram Anjos do Deus-Máquina, que adquiriram consciência de si mesmos e buscam destruir tudo que Ele criou, e para isso usarão de todos os métodos para conseguir seu intento.

Os Filhos da Bomba
Quando houve o holocausto nuclear milhões de pessoas morreram, os que sobreviveram logo se deterioraram em decorrência da radiação, mas, algo aconteceu em certos lugares devido ao poder nuclear das armas de destruição em massa: os Zeka.

Por serem as bombas nucleares uma herança dos Magos Inomináveis, criadas a partir dos poderosos arcanos da Matéria, Forças e Primórdio, os lugares onde estas caíram queimaram em uma fraca cópia do Fogo da Vida, as vítimas destruídas de alguma forma desconhecida, se recompuseram em amalgamas de órgãos, ossos, membros e carne uns dos outros, nascendo das cinzas das cidades destruídas. As novas criaturas, os Zekas, se levantaram as centenas, gritando em seus partos dolorosamente antinaturais, suas mentes repletas de lembranças distorcidas de dezenas de pessoas, sem saberem onde estavam e, principalmente, o que eram!

Como insetos atraídos pela luz, eles avistaram a Torre da Concórdia ao longe, sentindo a energia da poderosa Metrópole eles vagaram pela Wasteland, como uma horda faminta por conforto, por respostas, por um sentido para tudo aquilo. Mas, ao chegarem aos muros da redoma foram atacados violentamente pela Tecnocracia, eles em sua parco vocabulário só conseguiam gritar “Por que?”, enquanto viam seus companheiros serem derrubados sem misericórdia, eles fugiram para as ruínas, e seu pranto virou ódio, os anos passaram e eles aprenderam a organizar seus pensamentos, aprendendo com as lembranças das pessoas em suas mentes, descobriram que a radiação os fortalecia, e logo eles eram milhares, aprenderam a se multiplicar, ainda mais quando encontram “matéria prima”, prometendo que tornariam toda a Metrópole em seres tão repugnantes e hediondos quanto eles próprios. 

Os Simbiontes
Os Planinautas em suas expedições pelas muitas Dimensões, ocasionalmente conseguem capturar espécimes nativos destes planos, e o trazem para seus laboratórios pessoais na Metrópole. Com o avançar de suas pesquisas com estes seres, os Planinautas descobriram que eles detinham certa compatibilidade com os humanos, ficando mais próximos dos cientistas que detivessem certos tipos de pensamento ou sentissem determinadas emoções.

Quando uma comunicação rudimentar foi estabelecida, descobriu-se que muitos desses seres desejavam se unir aos seres humanos, sentir suas sensações, e o Projeto Simbionte deu-se início. Os Planinautas testaram em diversos animais a possibilidade de fundir um ser extraplanar com um ser da terceira dimensão, mas os resultados se demonstraram insatisfatórios e inconclusivos, sendo descartadas várias cobaias, era então necessário um passo mais ambicioso: se valendo dos criminosos da Metrópole os Planinautas usaram estes seres humanos como cobaias, e os resultados foram melhores do que os previstos.

A Fusão criava algo totalmente novo, um ser de aparência aterradora, que refletia a natureza da criatura extraplanar. Os Simbiontes foram expostos ao público como uma forma de provar que a Tecnocracia em breve poderia levar a humanidade a outras Dimensões, para um novo lar longe da radiação, ou seja, um passo a mais para a Evolução Final. Mas, algo deu errado, os Simbiontes saíram de controle, eles detinham habilidades que os Tecnocratas desconheciam, e seus ataques eram devastadores, as fugas eram sinônimas de calamidade, e os Simbiontes logo aprenderam a se esconder do olhar incansável dos Precognitores, vivendo entre os Ômegas e eventualmente invadindo as camadas superiores em busca de libertar seus irmãos que ainda continuam presos nos laboratórios da Tecnocracia.

Os Modificados
Estes são provavelmente os maiores desgosto da Tecnocracia, os Artificialistas em busca da melhoria da espécie humana se focaram na criação de Androides e Inteligências Artificias capazes de auxiliá-los em seus objetivos. Todos os Estratos possuíam uma Máquina em seus lares e trabalhos, que eram totalmente subservientes aos seres humanos. Logo os Artificialistas perceberam que suas criações eram muito superiores aos habitantes da Metrópole, com seus corpos de metal e silício eram invulneráveis a maioria das mazelas que poderiam matar um ser humano; com suas mentes artificiais conseguiam raciocinar muito mais rápido  e tomar decisões usando-se de pura lógica, isso os levou a conclusão de que a Evolução Final viria através das Máquinas, e assim começaram a criação dos Modificados.

Os Modificados inicialmente eram voluntários que tinham partes de seus corpos removidas e substituídas por peças robóticas, melhores e mais eficientes. Não demorou para que, ao exemplo dos Planinautas, os Artificialistas começassem a usar criminosos em seus experimentos mais radicais.  Os resultados foram surpreendentes, os cyborgs Modificados detinham o melhor dos dois mundos: a criatividade humana e a inteligência e resistência das Máquinas.

De alguma forma, entretanto, tal conhecimento da criação dos Modificados vasou para os Estratos, que destruindo seus companheiros Androides em busca de suas peças, começaram a fazer modificações em si mesmos. Tais transformações sem controle criaram sérios problemas para a Tecnocracia, pois os Doutrinadores não conseguiam dar conta dos poderosos cyborgs revoltosos, sendo necessário, em um conluio com a Igreja da Transfiguração, determinar que todo aquele que maculasse sua carne com peças mecânicas cometia um crime contra o Deus-Máquina. Os Tecnocratas determinaram a total destruição dos Modificadores, que fugiram para as camadas mais baixas em busca de abrigo, e eventualmente atacando os Artificialistas a procura de peças.

Os Sucateiros
Quando alguém passa pela Iluminação, automaticamente a Tecnocracia o recruta para suas fileiras, ele querendo ou não, se valendo de chantagem e até mesmo lavagem cerebral se necessário assim for.
Não é raro saber de histórias de pessoas que foram mortas sem nenhum motivo aparente, fugindo dos Doutrinadores pelas ruas. “Ninguém Escapa da Tecnocracia”.

Mas, existem aqueles que conseguem escapar, os Sucateiros, que são considerados mais como lendas urbanas do que outra coisa. Tais indivíduos Iluminados se recusaram a seguir os planos da Tecnocracia, e fogem para as profundezas subterrâneas da Metrópole, com o tempo tais pessoas aprendem as Faculdades de forma indireta, seja com outros Sucateiros ou através de lugares proibidos dentro da Teia Digital.

Os Sucateiros sabem que se forem encontrados serão exterminados ou forçados a entrar para a Tecnocracia, e por isso sabotam todos os planos que envolvam o Conclave, destruindo suas fábricas, quebrando as barreiras que limitam distritos, desencavando segredos obscuros da União e divulgando na Teia Digital e etc.

Os seus planos são apenas especulações, mas acredita-se que por trás de cada revolta dos Estratos exista a mão dos Sucateiros por trás, que com seus equipamentos alternativos (leia-se: construídos através de restos), eles operam todo um submundo de intrigas e conspirações, tentando libertar a si mesmo e a sociedade do julgo dos Tecnocratas e da Igreja da Transfiguração. Dizem até mesmo que estes indivíduos estão reunindo Simbiontes e Modificados para sua causa, prometendo uma liberdade verdadeira para além da “balela” da Evolução Final pregada pelo status quo.

Os Viciados
A Teia Digital é um dos pilares de controle da Tecnocracia, é através dela que os Codificadores implantam na mente da população ideias em prol da causa da Evolução Final. Cada linha da Teia Digital é uma porta para uma realidade digital, sendo algumas delas públicas para todos os Estratos, outras restritas a determinadas camadas, e outras ainda restritas a certos indivíduos ou à membros da Tecnocracia.

As Casas dos Sonhos são populares, principalmente pelos Estratos mais baixos, pois assim que uma pessoa entra na Teia Digital tem todos os seus desejos realizados: dinheiro, fama, paz, sexo... tudo que a pessoa imaginar é possível de ser reproduzido e sentido da Teia Digital, assim, muitos cidadãos acabam vivendo mais no virtual do que no real, sendo desplugados apenas para trabalhar, conseguir Créditos (o dinheiro da Metrópole) e voltar para a Teia. O tempo dentro da Rede passa de forma diferente do mundo real, variando de programação à programação: 5 minutos podem parecer uma vida inteira, enquanto em outros momento, horas não passaram de minutos.


Certos indivíduos acabam por se viciar na Teia Digital, podendo fazer de tudo para voltarem para “sua realidade”, estes acabam entrando em contato com o mercado negro da Metrópole em busca de equipamentos que os permitam entrar na Rede sem precisar irem a uma Casa dos Sonhos, e por consequência ficam longe da supervisão dos Codificadores. Ocorre que tais transmissões piratas são mantidas apenas por certo período de tempo, pois a mente detém certos limites para permanecer conectada, então os Viciados aprenderam que, se atacarem outras pessoas dentro da Rede, absorverem digitalmente as informações de suas mentes, seu tempo conectado se amplia, criando verdadeiros Seriais Killer digitais. As vítimas dos viciados tem um fim lamentável: suas mentes são destruídas e seus corpos acabam entrando em um coma profundo irreversível, enquanto o Viciado acaba por adquirir lembranças de suas vítimas, e traços de suas personalidades, podendo se passar por suas vítimas, digitalmente, e enganar seus familiares e amigos. 
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Um comentário:

  1. Vamos colocar os Sucateiros e Igreja da Transfiguração botar pra f... quebrar !! kkkkkkkk

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