sexta-feira, 17 de abril de 2015

Mago o Despertar Cyberpunk - Parte 4

Metrópole


A Terceira Guerra Mundial

Enquanto os Inomináveis lutavam contra os Exarcas e os Oráculos em duas frentes pelo controle dos Reinos Supernos, no Mundo Decaído os seres humanos entraram na Terceira Guerra Mundial, tal confronto foi evoluindo exponencialmente até que todos os Direitos Humanos fossem esquecidos, onde a sobrevivência era a única coisa que importava. Uma cultura de ódio foi disseminada entre as diferentes nações, uma cultura que ensinava nas escolas a xenofobia extrema, onde cada país se tornou um feudo fechado para o mundo, com até mesmo poucas relações com seus aliados na batalha contra os “Outros”.


Na Sombra os espíritos da dor, miséria, ódio, armas, sangue e etc se proliferaram aos milhões, alimentados e atraídos por tantas ressonâncias negativas oriundas do Mundo Material. E não foi somente o Reino da Sombra que fora afetado, o Submundo estava sobrecarregado, nunca tantas almas cruzaram seus portões antes e cada vez mais fantasmas não conseguiam seguir em frente, criando hordas lamuriantes que tomavam contas de cidades inteiras, urrando e clamando misericórdia (e vingança).

Até então, nenhuma nação teve coragem de apertar o botão vermelho, mas o que poderia ser salvo em mundo dominado por uma espécie que se odeia? Então a hora fatídica havia chegado: uma pequena nação oriunda do Extremo Oriente fez o anuncio, o mundo parou de respirar nesse dia, todos vidrados com as bocas escancaradas de horror diante do poder das novas Bombas Nucleares que transformaram uma cidade inteira em pouco mais do que um estacionamento (uma maldita herança dos Inomináveis, diga-se de passagem).

Não demorou muito para as represálias começassem e todas as nações nucleares acionarem suas armas de destruição em massa no tabuleiro mundial. Países inteiros foram devastados, tendo como únicas lembranças de seus habitantes as marcas queimadas que estampavam nas paredes suas silhuetas. Aqueles que não morreram com o impacto das explosões das bombas tiveram um fim ainda pior: contaminados pela radiação sofreram agonias extremas antes de sucumbirem em meio a transformações hediondas ocasionadas pela radiação. Se ainda existiam humanos, estes deveriam ser tão poucos que mal encheriam uma pequena cidade.

O Mundo acabou e ninguém sabe exatamente quando a Metrópole surgiu, em algum momento o tempo havia parado e um intervalo infinito entre a Terceira Guerra Mundial e a Ascensão do Deus-Máquina se deu. 

Tudo que se sabe é que a Metrópole é o lar dos seres humanos agora, os mais antigos não sabem como chegaram até ali, mas sentem medo ao olharem através dos muros que protegem a cidade, pois em algum lugar em suas mentes, as memórias da Guerra, antes da Ressureição sussurram seus horrores. Eles sabem que nenhuma pessoa normal poderia cruzar seus portões e permanecer vivo na Westeland por muito tempo, se não fossem contaminados pela radiação seriam atacados e mortos por coisas que ainda vagam lá fora, coisas que anseiam por carne fresca e mole de seus corpos quentes, ou pelo menos é isso que a Igreja da Transfiguração os ensina.


Os Estratos
A Metrópole é uma gigantesca cidade feita de concreto negro onde seus prédios mais altos conseguem ultrapassar a camada de fumaça liberada pelo holocausto nuclear. Por entre as ruas e construções correm linhas de luz esverdeada, linhas essas que alimentam a cidade constantemente para mantê-la aquecida e com seus escudos antirradiação ativados. 
Na Superfície vivem os Alfas, os indivíduos com a melhor constituição genética e psicológica que detêm maiores chances de sobrevivência e de passarem pela Iluminação (em teoria), é aqui que a vigilância é mais constante por parte da Tecnocracia. Os Alfas são tidos como celebridades, políticos ou trabalhadores intelectuais, vivendo a vida mais confortável entre os membros da Metrópole, onde aqueles com mais prestígio social e poder econômico conseguem adquirir compartimentos iluminados pelo sol no topo dos altos prédios. É na Superfície que se encontra a Torre da Concórdia, a mais alta construção da Metrópole, a sede do Conclave da Tecnocracia e lar do Vector.

No Primeiro Nível abaixo da Superfície, vivem os Betas, indivíduos fortes e rápidos que são tidos como de grande importância para a manutenção da Metrópole, alguns deles até vivem na superfície, são geralmente os militares e seguranças da Tecnocracia. É aqui onde se encontra o comércio da Metrópole, as lojas e as Casas de Sonhos são o grande enfoque neste nível, sendo um dos lugares mais bem protegidos e visitado por todos os estratos em busca de equipamentos, trabalho e prazer momentâneo.  Os Betas e Alfas são os únicos que não se alimentam de protoalimento, podendo consumir a rara comida convencional cultivada nas pequenas estufas onde Gamas e Deltas lutam para sobreviver.

No Segundo nível vivem os Gamas e Deltas, são os indivíduos medianos da Metrópole, mantidos para manter a Máquina girando, pois os Gamas manuseiam os motores de reação que geram energia para a cidade e são também seus principais construtores mecânicos, já os Deltas trabalham geralmente em serviços braçais pesados, cultivando a comida dos Alfas e Betas, além de produzirem o protoalimento: uma pasta cinzenta que contém todos os nutrientes e vitaminas vitais para o corpo humano, criada a partir de compostos sintéticos e restos orgânicos (Nada na Metrópole é desperdiçado levianamente).

No Terceiro e ultimo nível vive a escória, os Ômegas, seres de pouco valor do ponto de vista Tecnocrático, que habitam os alicerces subterrâneos da Metrópole, vivendo de restos que lhe são jogados, muito sujos, doentes e alguns até mesmo deformados, são constantemente caçados pelos Doutrinadores (a polícia da Metrópole) quando invadem níveis acima em busca de alimento nas lixeiras, para mendigar e eventualmente roubar alguma coisa (embora seja cada vez mais difícil a medida que se sobe os níveis). As lendas dizem que é no Terceiro Nível que se escondem os Sucateiros, afinal seria o único lugar onde ninguém ousaria pisar, nem os mais corajosos Doutrinadores passam muito tempo lá embaixo, pois os Castigos podem estar a espreita...  

O Vector
A Sociedade da Metrópole é governada pelo Vector, um título de extrema grandeza que é repassado a cada 5 anos para um novo indivíduo escolhido pelo Conclave da 5 Fundações da Tecnocracia. Selecionado o Privilegiado que se tornará o Vector, este é trancado na “Câmara”, uma vez lá dentro o individuo recebe digitalmente, direto em sua mente, todo o conhecimento do qual precisa para administrar a Metrópole segundo os designíos da União Tecnocrática, ou pelo menos é isso que eles acreditam, a verdade é mais aterradora do que isso. O Vector não é apenas um título, é uma entidade vinda diretamente do Deus-Máquina. Quando os primeiros Privilegiados receberam a Iluminação, os Mensageiros vieram até eles para lhes mostrar os caminhos da Visão exercidos através das Faculdades, um destes mensageiros era conhecido como Vector.  

Vector tinha como missão conduzir a Metrópole até que os Privilegiados pudessem fazer isso sozinhos, mas devido situações não conhecidas houve um desentendimento entre este ser e os Privilegiados, que o destruíram, restando-lhe apenas a cabeça mecânica da criatura. Os Privilegiados então passaram a estudar sua anatomia e funcionamento, até que um dia um dos cientistas tocou diretamente no crânio e a consciência do Vector se manifestou dominando a mente do pobre homem, o tornando uma marionete da inteligência mecânica, que logo tratou de dar continuidade em sua programação original de comandar a Metrópole em busca da Evolução Final. Ocorre que tal fusão é extremamente danosa para o corpo humano, que só resiste por meros 5 anos, que é quando o Conclave se reúne para escolher quem será o novo Vector, que inocentemente aceita seu cargo de máxima importância imaginando honras e glórias, quando na verdade se tornará um escravo em seu próprio corpo e sucumbirá em poucos anos, consumido plenamente pela entidade.



Os Castigos
Quando a gratidão dos Estratos por estarem vivos passou, eles começaram a se rebelar, pois a prisão de vidro e concreto onde viviam não era o suficiente para conter a Fome da Humanidade. As camadas mais baixas começaram a hostilizar as mais altas, e os Alfas exigiram da Tecnocracia uma solução, assim, cada uma das Fundações criou uma benção e uma maldição para os habitantes da Metrópole:

Artificialistas
Benção: Criaram as máquinas, robôs e androides que auxiliariam os humanos em suas tarefas (mas servindo de espiões dentro dos lares das pessoas).
Castigo: a criação dos “Modificados”, criminosos capturados pelos Doutrinadores foram usados em experiências para fundir carne e metal, criando cyborgs controlados para executar sumariamente qualquer insurgente, mas, com o tempo (talvez devido aos Sucateiros), tal tecnologia fora dominada por certas pessoas, que começaram a criar em suas garagens, usando peças dos robôs, suas próprias próteses, amputando dolorosamente seus membros para terem uma chance de lutar contra a Tecnocracia. Por tanto os Artificialistas determinaram que todo e qualquer Modificado fosse capturado, preso e destruído, independente de sua origem, sendo um crime contra a Evolução Final unir-se a uma máquina.

Planinautas
Benção: Os Planinautas trouxeram de suas inúmeras viagens vários objetos importantes para os moradores da Metrópole, assim como outras fontes de energia para seus lares, criando assim conforto físico e psicológico para as pessoas.
Castigo: contra os revoltosos, esta Fundação criou os Simbiontes, a união profana de um ser humano e um ser alienígena de outra dimensão. Os Planinautas criaram criaturas belas, inteligentes, monstruosas, hediondas, aterrorizantes... Tais Simbiontes foram expostos ao público, como uma espécie de zoológico, até que algumas “fugas” aconteceram, e as monstruosidades desceram até os níveis mais profundos, matando tudo que encontravam pela frente. Atualmente encontrar um Simbionte é raro, mas existe uma grande recompensa para quem os capturar com vida.

Genocratas
Benção: Com seus estudos sobre a vida e a morte, os Genocratas criaram todo o aparato necessário para prolongar a vida dos habitantes da Metrópole, desde novas partes do corpo, como membros e órgãos, e até mesmo corpos robustos e novos, dando a aparência de imortalidade.
Castigo: Para deter os insurgentes, os Genocratas criaram doenças terríveis e letais, lacrando Distritos inteiros e espalhando suas crias microscópicas, a população logo era exterminada, as doenças tinham tantas características que nenhum médico poderia dar conta, apenas um Privilegiado poderia conceber tantos sintomas ao mesmo tempo, que iam desde pústulas negras, putrefação da carne, hemorragias internas e coisas ainda piores. Com efeito, os Adoecidos sobreviventes, não importante de qual Estrato venham, são convertidos automaticamente em Ômegas.

Codificadores
Benção: Como forma de agradar a população, os codificadores criaram as Casas do Sonho, nelas os moradores da Metrópole poderiam entrar na Teia Digital, e ter a vida que quisessem. Muitas pessoas se viciam nessa vida falsa, fazendo filas quilométricas ao redor desses lugares por alguns minutos dentro de suas realidades perfeitas.
Castigo: Com isso, dentro da Teia Digital, os Codificadores implantam ideias na mente de certos indivíduos, criando uma verdadeira dependência das sessões, fazendo com que pais amorosos se tornem verdadeiros psicopatas capazes de tudo por alguns Créditos para voltarem para “sua realidade”. Tais indivíduos, os Viciados, aprenderam um dia que é possível absorver outra pessoa dentro da Teia Digital, e assim ganhar mais tempo lá dentro, tal processo induz a vítima em coma, enquanto o atacante adquire traços de sua personalidade, e quando muitas personalidades estão dentro de uma mesma mente, os resultados são desastrosos.

Precognitores
Benção: Os Precognitores passaram a proteger e monitorar a Metrópole, trazendo inicialmente um aspecto de paz a cidade, eles, com suas faculdades conseguiam impedir crimes, e usando-se dos Doutrinadores faziam a guarda dos Distritos. Eles constantemente vasculham os muros ao redor da Metrópole, em busca de eventuais perigos, como por exemplo os monstros nucleares Zeka, que eventualmente cercam os muros da Metrópole, querendo entrar (e vá por mim, alguns acabam mesmo entrando).
Castigo: Os Precognitores impõem dois castigos clássicos aos criminosos: Prisão Criogênica ou Experiência. Os primeiros são obrigados a ficarem dentro de câmaras resfriadas por anos dependendo de seus crimes, já os segundos são praticamente sentenciados a morte, pois uma vez capturados não existe chance de escapatória, uma das Fundações irá compra-lo e fazer o que quiser com seu corpo e mente
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